ROBERTO CARLOS, 50 > O REPERTÓRIO DO SHOW!!!

os braços estendidos flagrados no caminho dos vídeos linkados abaixo "réssignificam" [como diria GIL...] o sentido da expressão "mãos ao alto". [e já não é de hoje...]

e não é apenas em saudação ao REI, mas pela multiplicação dos dispositivos de gravação [celulares, máquinas fotográficas] para "além do horizonte".

a cena fala por si. e não deixa dúvidas. é assim que se fará televisão daqui pra frente, na nova ordem audiovisual: colabor/ativamente, particip/ativamente. e cada vez mais via internet.

cada um [n]a sua, como uma via de mão dupla que começa no próprio telespecta[realiza]dor. [deficiências técnicas? ah!!! e daí?! questão de treino e tempo só...]

o show de ROBERTO CARLOS em FLORIANÓPOLIS ofereceu, de quebra, mais este retrato de época --como se pode ver no apanhado de links que incorporo ao set list do show, um presente aos fãs que pretendem/poderão estar nalguma das próximas baldeações da turnê.

* a organização da lista abaixo me fez rever a quantidade de números musicais que eu havia mencionado num dos posts anteriores, aliás.

mas se alguém notar que faltou algo, me corrija por favor -porque, na nova ordem digital, até os textos respiram.

 

ROBERTO CARLOS, 50 > O REPERTÓRIO

[EM FLORIANÓPOLIS, PELO MENOS]

 

1) Medley 1 > As Curvas da Estrada de Santos / Jesus Cristo/ Cavalgada/ É Preciso Saber Viver/ Como é Grande o Meu Amor por Você

[http://www.youtube.com/watch?v=KEDT5-o2qjc, by ADRIANO MEIRA VARELLA]

 

2) Emoções (1981)

[http://www.youtube.com/watch?v=7604cWPC0ds, by MARLON GASPAR]

 

3) Eu Te Amo (1984)

 

4) Além do Horizonte (1975)

 

5) Amor Perfeito (1986)

 

6) Detalhes (1971)

 

7) Outra Vez (1977)

 

8) Meu Querido, Meu Velho, Meu Amigo (1979)

 

9) Lady Laura (1978)

 

10) Nossa Senhora (1993)

 

11) Mulher Pequena (1992)

 

12) Caminhoneiro (1994)

 

13) Medley: Namoradinha de um Amigo Meu/ Quando/ E por Isso Estou Aqui / Jovens Tardes de Domingo/ Emoções [de novo] [http://www.youtube.com/watch?v=yp_ngqw4UHg, by SANDRO MC]

 

14) Como é Grande o Meu Amor por Você (1968)

 

15) Proposta (1973)

 

16) Cavalgada (1977)

 

17) É Preciso Saber Viver (1974)

 

18) Jesus Cristo (1970) 

 

 

 

aquele abraço [e, tomara, bom show!]

israel do vale 



Escrito por israel do vale às 20h31
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O MITO, NUM PIQUENIQUE DE AFETOS [MORNO, TERNO E TOCANTE] - 2

(...)

 

 

 

O palco emoldurado por uma grossa faixa luminosa de leds ajuda a fixar o retrato do cinquentenário na parede da memória.

 

Cabelos revoltos [longos e, já de algum tempo, repicados], Roberto Carlos segura o microfone como se estivesse sem o pedestal, deitando-o com frequência. E canta para fora dele, na transversal, como nos velhos tempos. Raramente deixa o posto.

 

Metido nos figurinos habituais [blazer e calça azuis, camisa de gola branca sobre camiseta idem, talvez para aplacar o frio], Roberto Carlos é um hábil malabarista de sutilezas. Sua performance traz a marca da escola que o fez [re]conhecido: canta em praça pública como se estivesse na televisão.

 

Dono de gestos econômicos, sorriso largo, sobrancelhas expressivas, mantém as mãos à altura do peito [para ajudar no enquadramento das câmeras?] e se apresenta para o telão, não para a platéia. Sábio, atinge a todos.

 

Talento inato ou reflexo direto do aprendizado nos programas “Jovem Guarda” [a partir de 1965], “Jovens Tardes de Domingo” [em fins dos anos 60] e “Roberto Carlos Especial” [dos anos 80 pra cá], que o mantiveram tão presente no imaginário coletivo? [Mesmo que nos últimos tempos cante mais em alto-mar, em cruzeiros cinco estrelas, que em terra firme...]


Roberto Carlos talvez se torne um dia um dos sinônimos de emoção no dicionário. O investimento vem de longe. Vencido o ímpeto juvenil [da velocidade, dos amores fugazes e outras peraltices], Roberto embrenharia-se de vez pelo veio –tenha ele fonte religiosa ou amorosa.

 

Dedicaria quatro quintos de sua carreira a esta mina de ouro natural, de onde ainda extrai tudo que pode. Mas é preciso reconhecer que só faz isso porque, de fato, encarna isso. E é difícil desacreditar da sua sinceridade.

 

Com estas tintas escreveria sua biografia, desde sempre: uma passionalidade [calculada?] traduzida em declarações de princípios e/ou casos amorosos [artifício corrente e banal como estratégia de marketing no show biz], expostos por meio das músicas [convincentes] que cada uma dessas passagens teria inspirado.

 

“Sempre gostei de fazer músicas quando estava contente, mas nesta canção estava numa bronca daquelas”, confessaria [?!] ontem, antes de mais um de seus desabafos amorosos.

 

Com ou sem consciência, Roberto fez do isolamento uma forma de preservar suas canções de interpretações objetivas. De tempos em tempos, desvenda passagens da vida que renovam o sentido de suas letras –como já fizera com a caetaniana “Debaixo dos Caracóis”, anos atrás. E faz isso sem pretensões aparentes, como quem se abre com o vizinho, simplesmente.

 

Assim tem sido, até mesmo em  temas imprevisíveis como o de “Caminhoneiro” –a ponto de [impelido pelo encantamento da tenra infância, inda nos idos de sua Cachoeiro de Itapemirim] afirmar no show que, não fosse a música, teria se entregado ao transporte de cargas...

 

Roberto é um cara legal [mora?!]. Desses que inspiram confiança –a ponto de se comprar um calhambeque antes mesmo de dar a partida. Fala de seus músicos [“esses meninos (!) que tocam comigo desde o começo...”] com carinho admirável.

 

É um sincero [e calcule-se aí o risco que corre, neste tempos...]. Destes que declaram publicamente suas paixões e reconhecem as dores de amores sem vergonha alguma.

 

E sabe seduzir seu público –quando, por exemplo, realimenta a prática de jogar flores para a platéia, para alegria incontida das tiazinhas [e sobrinhozinhos] mais serelepes, que se engalfinham [cordialmente...] pelo regalo nas fileiras da frente.

 

O set list desta turnê comemorativa é uma panorâmica de sua história. Que pode ter perdido o timing do calendário, mas veio em boníssima hora, numa fase sensivelmente mais tranquila, menos perturbada pelos fantasmas das superstições [que o fizeram banir determinadas palavras e cores de sua vida] ou pelo luto do amor perdido/partido.

 

O show de ontem apontou mudanças sutis em relação ao repertório que abriu a temporada, no 19 de abril dos seus 68 anos –na cidade que o revelaria num programa radiofônico dominical, menino ainda, e onde não cantava há 14 anos.

 

Se de um lado suprimiu referências mais diretas à cidade natal [como a declaração de amor de “Meu Pequeno Cachoeiro”, presente no show de estréia da turnê], fez emergir ainda mais os laços familiares [em “Meu Querido, Meu Velho, Meu Amigo”, seguida de “Lady Laura”, referências diretas ao pai e à mãe], a exemplo do que vem fazendo nestes primeiros shows da nova turnê.

 

O apoio dos dois telões laterais é vital não só na tradução das “emoções” [no semblante sapeca: os olhos fechados, sorriso maroto] para o público mais distante do palco, mas para comentar ou sublinhar determinadas passagens das letras –coisa que a iluminação, marcadamente coreografada, faz de maneira excepcional.

 

Cada um dos 20 números musicais do repertório [RETIFICANDO: 18, se minhas anotações não deixaram nada para trás...] é acompanhado, no telão, da indicação do ano de seu lançamento. E embora haja certo equilíbrio entre as fases [com uma leve inclinação para os anos 70...], o tema predominante é [adivinhe?], claro, o amor.

 

É notável o esforço em contemplar a maior quantidade possível de hits da carreira –o que se manifesta por meio de pout-pourris, na abertura e no meio do show, com blocos de cinco canções compactadas pelos arranjos do maestro Eduardo Lages. Como se fosse realmente possível atender a todos ao mesmo tempo...

 

Roberto Carlos é e será sempre um ícone. E por mais que a sua exposição na mídia tenha tido papel determinante no fenômeno que contabiliza 100 milhões de discos vendidos, sua obra dá corpo a um conjunto de standards que amplia o sentido do que se possa entender como música brasileira –para além do samba, da bossa ou da capacidade de expansão e síntese de gente que redefiniu parâmetros, como Villa-Lobos, Radamés Gnatalli, Mutantes, Gil, Caetano, Chico Buarque, Tom Jobim, João Gilberto, Racionais, Chico Science.

 

Guardadas as proporções, ela traduz o sentimento de uma época [como o blues, o swing, o jazz ou as grandes orquestras], seus valores e sua ética. Uma época [de inocência?] que talvez tenha “saído de moda” e soe fora de lugar. Mas que renova seu sentido a cada nova geração que carrega em seu baú sentimental as músicas ouvidas pelos pais, dessas que se canta automaticamente, mesmo sem saber que se sabia.

 

Estes [mal-contados] 50 anos de carreira celebram a permanência das coisas que contam. E o tempo que se conta em dias é, nelas, apenas um ponto de vista difuso de quem olha a vida pelo retrovisor.

 

“Como 50 anos [de carreira], se eu acabei de fazer 35?!”, dizia ontem Roberto, fiel ao roteiro. “Pelo menos é assim que eu me sinto”, emendaria, matreiro.

 

Não importa se alguém escreveu isso para ele falar. Importa, sim, que é parte do que se imagina que ele diria. Porque, na sua boca, as palavras nascem trôpegas, às vezes. Mas estarão sempre encharcadas de verdade. Porque o sentido, em Roberto, só existe se estiver a serviço do sentimento.

 

 

 

israel do vale



Escrito por israel do vale às 22h20
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O MITO, NUM PIQUENIQUE DE AFETOS [MORNO, TERNO E TOCANTE] - 1

“Que falta faz um homem romântico!” O suspiro da fã no meio do show de Roberto Carlos, ontem, em Florianópolis, ajuda a entender o séquito que o Rei arrasta, onde quer que esteja.

 

Da abertura [com um medley de clássicos em versão orquestrada] ao encerramento [com “Jesus Cristo”], Roberto Carlos maneja a memória afetiva do público com aparente naturalidade, como se não exigisse grande esforço.

 

Por mais que desfie em seu show um longo rosário de “emoções baratas” [calculadas e rigorosamente roteirizadas, com temas instrumentais como moldura para frases de efeito lidas em teleprompter], Roberto Carlos preserva certa aura de mistério, indecifrável, e uma capacidade incrível de tratar a música como um sofisticado mecanismo de comunicação –de forma autônoma, simples, direta e, sobretudo, tocante.

 

Roberto está longe de ser um orador eloquente ou um grande improvisador. Exposto ao imprevisto, escuda-se em suas “emoções” para dizer que nem sabe o que dizer ou como agradecer –como se daria, neste show, no momento da entrega [por Pedro Sirotsky, da família RBS] de uma placa em sua homenagem.

 

Mas seu carismo é irrefutável. Fruto de décadas [cinco redondas nas suas contas, questionadas pelo biógrafo interditado Paulo Cesar de Araújo] de exposição das vísceras e sentimentos [tormentos?] compartilhados, sim. Mas fruto também de uma relação mediada pela televisão –é preciso acentuar.

 

Roberto Carlos é um dos primeiros mitos brasileiros potencializados [forjados?] pela TV, no meio musical. E a Jovem Guarda [que ele impulsionou e que o impulsionou] é, sem dúvida, o marco mais flagrante da invenção da cultura pop jovem [e de consumo] no Brasil.

 

[Sobre isso, basta notar como terninhos bem-cortados e figurinos reluzentes e caprichadíssimos, intimamente atrelados ao repertório, mantinham vínculos com a indústria têxtil e da moda –como aponta Zuza Homem de Mello no livro “A Era dos Festivais” e pode ser ilustrado nesta breve compilação de trechos do programa Jovem Guarda: http://www.youtube.com/watch?v=TdHSTiHjsqM]

 

Mas o que teria feito Roberto Carlos consagrar-se [e eternizar-se] como ídolo supremo, ao contrário de seus pares de programa [Vanderléa e, sobretudo, Erasmo, até hoje imbatível como seu grande parceiro e principal compositor –seguido parcialmente, em fins dos anos 60 e começo dos 70, por Getúlio Côrtes, irmão do ícone black Gerson King Combo e autor de algumas das músicas mais suingadas gravadas pelo Rei, dentre elas a gloriosa “Negro Gato”].

 

Roberto Carlos é o enigma da pirâmide. Um enigma capaz de fazer de um show morno [até quase a metade, agravado pelo áudio mal-equalizado de seu microfone] algo incrivelmente terno e aconchegante.

 

Alheio ao frio cortante das noites outonais florianopolitanas, o público que se acotovelava [fraternalmente] no gramado da Expresso Sul [a baía do Saco dos Limões ao fundo] era o próprio retrato da trajetória do Rei: famílias inteiras [avós, pais, filhos, netos] de banquinhos de plástico nas mãos [o que criaria verdadeiras “muralhas” de seres humanos em alguns pontos da platéia, pelo tanto de gente que se aboletava neles em busca de uma visão melhor], irmanados em refrões, como num grande piquenique de afetos.

(...)



Escrito por israel do vale às 14h11
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O REI, MORNO OU EXPLOSIVO, MAS SEMPRE ACONCHEGANTE

os cinco minutos de foguetório eram parte das comemorações do patrocinador, a RBS.

mas foram dignos do belíssimo [e impecável] evento, à altura do cinquentenário de carreira do REI --depois de um show [morno e tecnicamente correto, mas como sempre] memorável [como pode?!].

falo com calma disso logo mais. por ora, fiquem com o registro de CIDA EUBLE, uma moradora do morro em frente, transformado em camarote privê por ela e os vizinhos de bairro, na COSTEIRA.

http://www.youtube.com/watch?v=JgDEcLjDkMo 

israel do vale



Escrito por israel do vale às 12h09
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