TV BRASIL, UMA TRAGICOMÉDIA DE ERROS (5) - A SAGA CONTINUA...

como era de se supor, LEOPOLDO NUNES já era cachorro morto quando procurou RENATO ROVAI e lhe ofereceu a entrevista publicada pela REVISTA FÓRUM. o percurso é [ética e responsavelmente] revelado pelo próprio entrevistador --que, mesmo próximo do entrevistado, faz o que pode para explicitar o dispositivo.

foi apenas mais um movimento no xadrez de LEOPOLDO NUNES [que se definia, orgulhosamente, como "um jogador"...] em favor de si mesmo --em busca, presumivelmente, do próximo galho em que vai se pendurar [e eu tenho cá comigo minhas apostas...] mas, como efeito colateral, pode, de fato, ser a faísca que falta para acender a discussão sobre os rumos da emissora.

nunca faltaram forças dispostas a enterrar o projeto de televisão pública. e se a sociedade [e não apenas o meio audiovisual, embora ele seja imprescindível como força política de pressão neste momento] não tomar para si esta questão, é sinal de que a TV BRASIL realmente não tem motivo para existir --e, tristemente, pode acabar com uma penada de qualquer alma penada que venha a assumir o poder.

há muita coisa em jogo aqui. mas este projeto só será respeitado se representar mais que a defesa de interesses de classe --por mais louváveis e defensáveis que eles sejam.

a segunda edição do FÓRUM NACIONAL DE TVs PÚBLICAS é o ambiente mais adequado para isso. se houver chance real de se debater este projeto [e é fato: o conselho curador, como é hoje, é absolutamente inócuo!], o FNTVP pode vir a cumprir um papel histórico neste processo.

o que só será viável se for possível assegurar a participação de todos os que podem contribuir para o assunto, no terceiro setor, no meio cultural e nas instâncias de defesa da democratização das comunicações.

* replico abaixo um post meu pendurado no blog do ROVAI em comentário ao comentário de LUIZ LOBO, ex-apresentador e ex-diretor do novo telejonal da emissora, demitido pela diretora de jornalismo HELENA CHAGAS no ano passado. [para ler o comentário de LOBO, acesse o blog do ROVAI --que merece ser difundido e prestigiado, pelo importante papel que começa a cumprir --como ilustram o comentário esclarecedor do ex-diretor-geral da TV BRASIL, ORLANDO SENNA, e a entrevista com o presidente do conselho curador, LUIZ GONZAGA BELUZZO.]

 

"LUIZ caríssimo. entendo sua solidariedade, mas a falta de transparência e abertura para a conversa na TV BRASIL também inclui LEOPOLDO NUNES.

fui seu gerente-executivo de conteúdo neste primeiro ano do projeto. a segunda pessoa a formar a sua equipe, convidado por ele. e me decepcionei enormemente com suas posturas --decorrência, em parte, do processo desgastante de pequenos e sistemáticos boicotes que sofreu, é preciso reconhecer.

deixei a TV há dois meses, demitido por recado. fui simplesmente comunicado por uma de suas assessoras que seria "substituído", sem argumento nem motivo... é uma prerrogativa de quem maneja cargos de confiança, sem dúvida. e se a confiança foi perdida [talvez porque eu insistisse na necessidade de trabalhar com foco e planejamento], nada mais natural.

está aí o "x" da questão. LEOPOLDO não é afeito ao diálogo. tem convicções demais para isso. sob pressão, tristemente, interditou o trânsito da sua área com as demais, agravando um clima tenso já na origem --e explicitado várias vezes pela presidente TEREZA CRUVINEL, que se ressentia de ter sido convidada a ocupar o cargo depois de a maior parte do comando da TV [o que inclui LEOPOLDO] já estar decidida.

a TV BRASIL é um vespeiro dos grandes. e a origem de todos os problemas está na forma como foi criada. o ímpeto de colocar na rua um projeto desta magnitude levou determinadas instâncias de governo a tomar decisões apressadas --em alguns casos, impensadas. é da natureza do jogo político, afinal: criar primeiro e resolver o que será depois. e eu posso entender isso como tática, mas não como estratégia permanente.

o próprio LEOPOLDO age assim. alertado para a necessidade de se refletir melhor sobre determinado assunto, chegou a dizer que, sim, primeiro iríamos fazer [do jeito dele, claro...] e depois pensar a respeito.

os problemas na emissora são muitos. não é simples equacionar tantas complexidades herdadas, de figuras jurídicas e culturas de trabalho diferentes entre a ex-RADIOBRAS, a ex-TVE e a ACERP, braço operacional [não raro, inadequado e/ou inoperante] da antiga TV educativa federal.

mas não é possível que uma empresa de R$ 350 milhões de orçamento anual e 2.600 funcionários vá trabalhar sempre na base do improviso, por decisões aleatórias, tomadas de rompante. era esta a minha principal pontuação internamente, e não só com LEOPOLDO.

no atacado, são dois os principais problemas que afetam o dia-a-dia da TV: as falhas crônicas de fluxo [de informação, mas não só] e gestão. fosse pouco, se a desorganização, a inadequação de determinadas pessoas aos postos que ocupam, a falta de critérios e de entendimento [sobretudo no âmbito administrativo e financeiro] do negócio desta empresa são reflexo do percurso, há também um cabo-de-guerra de cinco pontas de disputas por poder, cargos e a prevalência do "seu" ponto de vista sobre os demais.

e o mais grave, para mim, é que até hoje não se sabe qual o projeto de televisão pública que se persegue. trabalha-se a esmo, por demanda, acomodando issos e aquilos que chegam pelas vias mais disparatadas --numa espécie de "política de decisões de coquetel", adotadas pela conveniência de aproximação com pessoas, instituições ou setores --e não por ser parte de um projeto definido, concreto e claro.

não há, sequer, entendimento do que seja TV pública e do que a diferencie das demais, em instâncias decisivas.

por fim, gostaria de ressaltar que concordo substancialmente com o mérito do que defendia LEOPOLDO, mas não com o método adotado por ele. por mais louvável [essencial, premente] que seja estreitar o relacionamento com a produção independente e inundar a TV brasileira com o filme nacional, é descabido supor que todas as decisões de um diretor de programação e conteúdo devam se pautar por isso e para isso.

LEOPOLDO não se movia por um projeto, mas por uma obsessão. e um posto como este demanda mais que um líder sindical."


israel do vale



Escrito por israel do vale às 12h49
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SERIA O FIM DE UM CICLO NA TV BRASIL?

LEOPOLDO NUNES caiu. e já foi tarde. mas, isoladamente, a saída do diretor de programação [que já não mandava na área...] e de conteúdo da TV BRASIL não resolve os problemas da emissora.

LEOPOLDO é apenas o sintoma de uma conjunção de decisões tortas, apressadas, tomadas sem o cuidado e o critério necessários.

faço votos que ele volte para o que faz melhor: articular, mobilizar. e que tenha se dado conta de que, decididamente, não tem perfil nem tino para a gestão.

mas se este momento não servir a uma profunda reflexão sobre os rumos [conceitos, diretrizes] do projeto de televisão pública de que o país precisa, o sentido prático disso será nenhum.

como sempre, há coisas não-ditas, mal-explicadas e versões conflitantes, a exemplo do que já havia se dado nos episódios que levaram ao afastamento de MARIO BORGNETH e de ORLANDO SENNA.

posto abaixo o link para uma das versões correntes sobre o que teria motivado esta morte anunciada --de que sua saída seria decorrência do que teria sido dito em entrevista publicada pela revista FÓRUM.

http://www.revistaforum.com.br/sitefinal/NoticiasIntegra.asp?id_artigo=6895

israel do vale



Escrito por israel do vale às 19h11
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