IMPOSTO ZERO PARA A MÚSICA BRASILEIRA!
gigantes e nanicos do mercado fonográfico estão unidos em torno da defesa da desoneração de impostos na engrenagem da música. o projeto é de autoria de um deputado do PSDB carioca, mas foi encampado por um grupo suprapartidário. identifique o deputado da sua região e cutuque todos os demais para se somarem à vigília [e à pressão que deve precedê-la] pela aprovação. a votação está marcada para [acredite!] 1o. de abril... só pra se ter idéia do inferno dos impostos em cascata, dependendo da região do país a carga tributária onera em até 45% o preço final do CD. a estimativa é de que a aprovação da medida implique numa redução de pelo menos um terço no preço ao consumidor. e esta é uma questão importante: fundamental que toda cadeia produtiva se comprometa com a redução do que lhe compete, pra que não se repita o golpe da indústria editorial, que embolsou integralmente a diferença de preços quando um projeto similar foi aprovado na área do livro. você quer pagar mais barato por CDs e DVDs e ter um acabamento [encarte, informação confiável] melhor que o dos piratas? então se sacode aí! sou sócio de um selo em belo horizonte. mico-empresário típico, como os outros cerca de 400 que dão murro em ponta de faca país afora, para nos atermos a indies & pendentes. sou, portanto, um dos beneficiários diretos da medida, caso ela seja aprovada --ou seja, suspeite de tudo que digo aqui, por favor. mas se posso traduzir [egoistamente, talvez] a importância disso, eu diria que é a única maneira do meu selo [e da imensa maioria dos demais] sobreviver para além deste ano. para ilustrar, basta dizer que, no nosso caso, são nada menos que cinco anos no vermelho. e o motivo é muito fácil de entender: o que sobra para selo e artista em cada disco vendido ao lojista por algo entre R$ 16,00 e R$ 18,00 [depois de extrair impostos, comissão do vendedor, comissão da distribuidora e tal] é algo entre R$ 2,50 e R$ 3,00 por unidade. em miúdos: os custos de [re]produção dos CDs mais básicos, com caixinha de acrílico, giram em torno de R$ 3 mil para mil cópias. ou seja: se um artista independente médio vende mil cópias em um ano [vamos lá: com sorte, em seis meses...], significa que nem selo nem artista teriam condições de bancar uma nova tiragem com o que entra de recursos, porque este dinheiro ou não volta ou leva um ano para voltar... talvez a saída seja classificar [os nanicos, pelo menos] na legislação das igrejas ou de instituições de caridade [que aliás, não pagam imposto]. e haja fé!!! e isso porque [note!] nem considero aqui os custos de produção e gravação do disco, hein!. enfim, se há há alguma maneira de pressupor sustentabilidade para empresas do ramo [as nanicas, pelo menos] ela passa NECESSARIAMENTE pela desoneração. de outro modo: se as coisas não mudarem, toda a cadeia vai ser impactada pela extinção progressiva dos selos nanicos, que não terão como financiar a continuidade das suas atividades --o que impacta estúdios de gravação, fábricas de discos e todos os profissionais envolvidos [advogados especializados, inclusive]. a [muito saudável, no meu entendimento] implosão da lógica do mercado acabou com um modelo, mas ainda não viabilizou outro. e se não houver ajustes neste sentido, vamos todos morrer na praia antes do salva-vidas chegar. bom, é claro que deve alguma bóia a caminho --até porque, por mais suicida que o dono de selo seja, ele faz isso "pela causa", mas não perde uma ponta de esperança de que se chegue logo ao novo ambiente, seja ele qual for. o erro padrão que se comete [e aí isso vale para produtores, artistas, empreendedores, lojistas e tal] é achar que a solução virá de fora, por algum passe de mágica. não: a solução, se houver uma, depende de cada um de nós. e começa por uma profunda mudança de mentalidade [é ridículo ouvir artista por aí insinuando que é explorado pelo selo, selo se queixando da ineficiência da distribuidora etc etc etc]. ou vamos mudar os parâmetros de relacionamento e estabelecer novos níveis de parceria entre todos os envolvidos [alô artistas: parem de delirar com o modelo falido e finado das majors, porque nem sem impostos ele vai ressuscitar!] ou vamos todos seguir a boiada em direção ao despenhadeiro. você não precisa concordar comigo, claro. mas se tiver uma ideia melhor pra driblar este dilema, não deixe de me contar. quem sabe no futuro você vai merecer um busto na cidade da música [aquele elefante branco carioca, inconcluso e embargado, com orçamento de centenas de milhões --que se fizer girar na música o que vai girar no mercado de empreiteiras, talvez possa ajudar a resolver este e vários outros problemas da humanidade...]. em suma, se você quer engressar este caldo acesse, assine e repasse o link abaixo: http://www.abaixoassinado.org/webroot/abaixoassinados/4074 aquele abraço israel do vale
Escrito por israel do vale às 19h14
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