INDIGNAR, VERBO INTRANSITÁVEL

sim, este blog já foi um ambiente privilegiado para a discussão da produção e do mercado da música [interdependente] no BRASIL. e continuará sendo.

mas está cada dia mais difícil deixar de enlaçar a música ao mundo. e enxergar que a música [brasileira, sobretudo, para além do rap] talvez precise voltar a se relacionar mais com o mundo --em vez de ficar na sua casinha fingindo que não tem nada com isso, seja isso o que for.

acho um saco este "impulso artístico" de falar de amor --da maneira mais óbvia, envolta em sentimentalismos, entre dores de corno, sentimentos de abandono ou platonismos. e desafio os músicos que me lêem a me mandar músicas suas que falem de amor sem usar a palavra amor nem rimar com dor ou flor [inclusive porque, como nos lembra OSWALD DE ANDRADE, há poesia até no elevador...].

tem uma palavra desgastada que foi associada ao rock [especialmente ao punk] e precisa ser liberada dele, que é atitude. não falo aqui de engajamento político ou social, simplesmente. falo do posicionamento do artista em relação ao mundo em que ele vive --o que apens reforça, pra mim, a distância que existe entre ser músico e ser artista.

o post abaixo é um exercício simples de observação e comparação. [simples, mas não vi ninguém fazer antes...] é um tapa na cara de quem ainda tem ombridade [coisa cada vez mais rara] neste país e nestes tempos...

me chegou às mãos por um imeiou enviado por ARLINDO S. FILHO --mas não tenho subsídios para saber se é de sua lavra ou não.

o que importa é que ele toca num ponto essencial: o direito de indignar-se.

em tempos de desfaçatez generalizada [dá-lhe SARNEY!], de politicagens mil, de acomodações gerais, de jogos de interesse e fazeções de média sem fim, onde estariam o espaço e a disposição para a indignação? ou será que isso é um valor "do passado"?

leia e fique à vontade para estatelar-se de novo no sofá, de olho no CALDEIRÃO DO HURGH.

                                                                                                                       --- 

            CURIOSIDADES DE UM PAÍS DE LOUCOS


            Um motorista do Senado ganha mais para dirigir um automóvel do que
um oficial da Marinha para pilotar uma fragata !

            Um ascensorista da Câmara Federal ganha mais para servir os
elevadores da casa, do que um oficial da Força Aérea que pilota um Mirage.

            Um diretor que é responsável pela garagem do Senado ganha mais que
um oficial-general do Exército que comanda um regimento de blindados.

            Um diretor sem diretoria do Senado, cujo título é só para justificar
o salário, ganha o dobro de um professor universitário federal concursado , com
mestrado, doutorado e prestígio internacional.

            Um assessor de 3º nível de um deputado, que também tem esse título
para justificar seus ganhos, mas que não passa de um "aspone" ou um mero
estafeta de correspondências, ganha mais que um cientista-pesquisador da
Fundação Instituto Oswaldo Cruz, com muitos anos de formado, que dedica o seu
tempo buscando curas e vacinas para salvar vidas.

           JÁ PERDEMOS  A CAPACIDADE DE NOS INDIGNARMOS. 
PORÉM, O PIOR É ACEITARMOS ESSAS COISAS, COMO SE TIVESSE
QUE SER ASSIM MESMO, OU QUE NADA TEM MAIS JEITO.

aquele abraço

.i.



Escrito por israel do vale às 17h23
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I'LL BE THERE [QUE TRI-LEGAL!!!]

SE ATÉ O MÁICOL VAI...

[saudades de 75, hein INTER!?]

.i.



Escrito por israel do vale às 16h17
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TÁ COMBINADO, TÁ TUDO COMBINADO!!!

 

amigos e pessoas queridas,

o SamBaCana Groove volta a BH amanhã, numa dobradinha com DECO LIMA E O COMBINADO --e desta vez, no LAPA MULTSHOW.

é o lançamento do disco da banda --pela + BRASIL MÚSICA, o selo de que sou sócio [entra lá pra xeretar e me conta depois: www.myspace.com.br/maisbrasilmusica].

você conhece o DECO, né?! sim, claro. pelo PASTEL DE ANGU, mas não só.

recupere aí pela memória, na contramão do túnel do tempo: CHARANGA VODU [98-00], ELÉTRICA UZIFUR [89-97], ALMA CIBORG [87-88, ainda nos idos de CONCEIÇÃO DO MATO DENTRO].

pois é ele mesmo: o velho lobo indie da noite belorizontina, sinônimo de agitador cultural no DICIONÁRIO UAIS de quem respira inquietação e tenta [porque tenta!] fazer essa cidade olhar pra frente e ser um pouco mais estimulante a cada dia [e vamos combinar que, do primeiro PASTEL DE ANGU pra cá, a coisa melhorou bem, vai?!].

sou suspeito pra falar desse disco, sei bem. por ora, vou deixar que você mesmo ouça e fale por si: www.myspace.com/decolimaeocombinado.

e logo mais a gente troca figurinhas sobre ele.

mas e amanhã, o que você IA fazer mesmo? nem preciso dizer que o melhor [e mais chacoalhante] programa da noite de BH é lá no LAPA, né?! 

de quebra, com os DJs FAUSTINHO e MAGNO [com muita black music] nas carrapetas!!!

simboralá? é claro, né?!

TÁ COMBINADO, TÁ TUDO COMBINADO!!!

 

aquele abraço [e boa gandaia geral à nação!]

.i.



Escrito por israel do vale às 15h47
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2o. FÓRUM NACIONAL DE TVs PÚBLICAS [1]

começou agora às 9h em BRASÍLIA a segunda edição do FÓRUM NACIONAL DE TVs PÚBLICAS, organizado pela ABEPEC.

a primeira edição, encabeçada pelo MINISTÉRIO DA CULTURA, mobilizou centenas de instituições e ajudou a dar lastro e acelerar o processo de implantação da TV BRASIL.

além dos salamaleques de abertura, há três mesas hoje, para discutir financiamento, critérios específicos de aferição de audiência para emissoras do campo público e a migração dos canais públicos [leia-se, comunitários, legislativos e do executivo] da TV paga para a TV aberta. 

por mais que o excesso de blablablá seja um dos maiores males na TV pública, não deixa de ser curioso, contudo, que não haja um único site ou emissora transmitindo o encontro ao vivo.

o site do FÓRUM assinala a existência de uma profissional específica para cuidar das transcrições. seria muito saudávela que a íntegra dos debates e palestras fosse para o ar no mesmo dia em que eles acontecem [ou, vá lá: de um dia para o outro], de forma que a sociedade pudesse de fato tomar parte, no calor dos fatos, de uma discussão que lhe diz respeito diretamente.

a situação da EBC, empresa-mãe do projeto de TV pública do governo federal, não está na pauta.

há três representantes da empresa com assento nas mesas. o único com experiência anterior em televisão é o diretor de serviços JOSÉ ROBERTO GARCEZ, responsável pela NBR [o canal "oficial" do executivo], o CANAL INTEGRACIÓN [braço latino da EBC], mas fora da operação da TV BRASIL no dia-a-dia [embora, claro, tenha assento nas reuniões de diretoria].

GARCEZ participa de uma das duas mesas sobre TV DIGITAL --um assunto que ficou quicando sem pai nem mãe na maior parte do primeiro ano da emissora e, por iniciativa dele, entrou em pauta, com a criação de uma gerência-executiva para tratar [inclusive] disso, no segundo semestre de 2008.

os outros dois são RICARDO COLLAR [secretário-executivo e braço esquerdo da presidente TEREZA CRUVINEL] e LUIS HENRIQUE MARTINS [diretor jurídico], empossados há poucos meses na emissora, no mesmo processo de reorganização administrativa/ de gestão que entronizou PAULO RUFINO no posto de diretor-geral --e que criaria o ambiente para a demissão de LEOPOLDO NUNES, último dos três representantes designados pelo MinC descartados do comando da empresa em pouco mais de um ano.

a EBC não toma parte da mesa que discute conteúdo.

o 2o. FÓRUM NACIONAL DE TVs PÚBLICAS é patrocinado [ou, segundo o site, "viabilizado"] pela TV BRASIL e o MinC...

vamos monitorar e comentar as discussões por aqui, claro.

israel do vale



Escrito por israel do vale às 11h53
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ROBERTO CARLOS, 50 > O REPERTÓRIO DO SHOW!!!

os braços estendidos flagrados no caminho dos vídeos linkados abaixo "réssignificam" [como diria GIL...] o sentido da expressão "mãos ao alto". [e já não é de hoje...]

e não é apenas em saudação ao REI, mas pela multiplicação dos dispositivos de gravação [celulares, máquinas fotográficas] para "além do horizonte".

a cena fala por si. e não deixa dúvidas. é assim que se fará televisão daqui pra frente, na nova ordem audiovisual: colabor/ativamente, particip/ativamente. e cada vez mais via internet.

cada um [n]a sua, como uma via de mão dupla que começa no próprio telespecta[realiza]dor. [deficiências técnicas? ah!!! e daí?! questão de treino e tempo só...]

o show de ROBERTO CARLOS em FLORIANÓPOLIS ofereceu, de quebra, mais este retrato de época --como se pode ver no apanhado de links que incorporo ao set list do show, um presente aos fãs que pretendem/poderão estar nalguma das próximas baldeações da turnê.

* a organização da lista abaixo me fez rever a quantidade de números musicais que eu havia mencionado num dos posts anteriores, aliás.

mas se alguém notar que faltou algo, me corrija por favor -porque, na nova ordem digital, até os textos respiram.

 

ROBERTO CARLOS, 50 > O REPERTÓRIO

[EM FLORIANÓPOLIS, PELO MENOS]

 

1) Medley 1 > As Curvas da Estrada de Santos / Jesus Cristo/ Cavalgada/ É Preciso Saber Viver/ Como é Grande o Meu Amor por Você

[http://www.youtube.com/watch?v=KEDT5-o2qjc, by ADRIANO MEIRA VARELLA]

 

2) Emoções (1981)

[http://www.youtube.com/watch?v=7604cWPC0ds, by MARLON GASPAR]

 

3) Eu Te Amo (1984)

 

4) Além do Horizonte (1975)

 

5) Amor Perfeito (1986)

 

6) Detalhes (1971)

 

7) Outra Vez (1977)

 

8) Meu Querido, Meu Velho, Meu Amigo (1979)

 

9) Lady Laura (1978)

 

10) Nossa Senhora (1993)

 

11) Mulher Pequena (1992)

 

12) Caminhoneiro (1994)

 

13) Medley: Namoradinha de um Amigo Meu/ Quando/ E por Isso Estou Aqui / Jovens Tardes de Domingo/ Emoções [de novo] [http://www.youtube.com/watch?v=yp_ngqw4UHg, by SANDRO MC]

 

14) Como é Grande o Meu Amor por Você (1968)

 

15) Proposta (1973)

 

16) Cavalgada (1977)

 

17) É Preciso Saber Viver (1974)

 

18) Jesus Cristo (1970) 

 

 

 

aquele abraço [e, tomara, bom show!]

israel do vale 



Escrito por israel do vale às 20h31
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O MITO, NUM PIQUENIQUE DE AFETOS [MORNO, TERNO E TOCANTE] - 2

(...)

 

 

 

O palco emoldurado por uma grossa faixa luminosa de leds ajuda a fixar o retrato do cinquentenário na parede da memória.

 

Cabelos revoltos [longos e, já de algum tempo, repicados], Roberto Carlos segura o microfone como se estivesse sem o pedestal, deitando-o com frequência. E canta para fora dele, na transversal, como nos velhos tempos. Raramente deixa o posto.

 

Metido nos figurinos habituais [blazer e calça azuis, camisa de gola branca sobre camiseta idem, talvez para aplacar o frio], Roberto Carlos é um hábil malabarista de sutilezas. Sua performance traz a marca da escola que o fez [re]conhecido: canta em praça pública como se estivesse na televisão.

 

Dono de gestos econômicos, sorriso largo, sobrancelhas expressivas, mantém as mãos à altura do peito [para ajudar no enquadramento das câmeras?] e se apresenta para o telão, não para a platéia. Sábio, atinge a todos.

 

Talento inato ou reflexo direto do aprendizado nos programas “Jovem Guarda” [a partir de 1965], “Jovens Tardes de Domingo” [em fins dos anos 60] e “Roberto Carlos Especial” [dos anos 80 pra cá], que o mantiveram tão presente no imaginário coletivo? [Mesmo que nos últimos tempos cante mais em alto-mar, em cruzeiros cinco estrelas, que em terra firme...]


Roberto Carlos talvez se torne um dia um dos sinônimos de emoção no dicionário. O investimento vem de longe. Vencido o ímpeto juvenil [da velocidade, dos amores fugazes e outras peraltices], Roberto embrenharia-se de vez pelo veio –tenha ele fonte religiosa ou amorosa.

 

Dedicaria quatro quintos de sua carreira a esta mina de ouro natural, de onde ainda extrai tudo que pode. Mas é preciso reconhecer que só faz isso porque, de fato, encarna isso. E é difícil desacreditar da sua sinceridade.

 

Com estas tintas escreveria sua biografia, desde sempre: uma passionalidade [calculada?] traduzida em declarações de princípios e/ou casos amorosos [artifício corrente e banal como estratégia de marketing no show biz], expostos por meio das músicas [convincentes] que cada uma dessas passagens teria inspirado.

 

“Sempre gostei de fazer músicas quando estava contente, mas nesta canção estava numa bronca daquelas”, confessaria [?!] ontem, antes de mais um de seus desabafos amorosos.

 

Com ou sem consciência, Roberto fez do isolamento uma forma de preservar suas canções de interpretações objetivas. De tempos em tempos, desvenda passagens da vida que renovam o sentido de suas letras –como já fizera com a caetaniana “Debaixo dos Caracóis”, anos atrás. E faz isso sem pretensões aparentes, como quem se abre com o vizinho, simplesmente.

 

Assim tem sido, até mesmo em  temas imprevisíveis como o de “Caminhoneiro” –a ponto de [impelido pelo encantamento da tenra infância, inda nos idos de sua Cachoeiro de Itapemirim] afirmar no show que, não fosse a música, teria se entregado ao transporte de cargas...

 

Roberto é um cara legal [mora?!]. Desses que inspiram confiança –a ponto de se comprar um calhambeque antes mesmo de dar a partida. Fala de seus músicos [“esses meninos (!) que tocam comigo desde o começo...”] com carinho admirável.

 

É um sincero [e calcule-se aí o risco que corre, neste tempos...]. Destes que declaram publicamente suas paixões e reconhecem as dores de amores sem vergonha alguma.

 

E sabe seduzir seu público –quando, por exemplo, realimenta a prática de jogar flores para a platéia, para alegria incontida das tiazinhas [e sobrinhozinhos] mais serelepes, que se engalfinham [cordialmente...] pelo regalo nas fileiras da frente.

 

O set list desta turnê comemorativa é uma panorâmica de sua história. Que pode ter perdido o timing do calendário, mas veio em boníssima hora, numa fase sensivelmente mais tranquila, menos perturbada pelos fantasmas das superstições [que o fizeram banir determinadas palavras e cores de sua vida] ou pelo luto do amor perdido/partido.

 

O show de ontem apontou mudanças sutis em relação ao repertório que abriu a temporada, no 19 de abril dos seus 68 anos –na cidade que o revelaria num programa radiofônico dominical, menino ainda, e onde não cantava há 14 anos.

 

Se de um lado suprimiu referências mais diretas à cidade natal [como a declaração de amor de “Meu Pequeno Cachoeiro”, presente no show de estréia da turnê], fez emergir ainda mais os laços familiares [em “Meu Querido, Meu Velho, Meu Amigo”, seguida de “Lady Laura”, referências diretas ao pai e à mãe], a exemplo do que vem fazendo nestes primeiros shows da nova turnê.

 

O apoio dos dois telões laterais é vital não só na tradução das “emoções” [no semblante sapeca: os olhos fechados, sorriso maroto] para o público mais distante do palco, mas para comentar ou sublinhar determinadas passagens das letras –coisa que a iluminação, marcadamente coreografada, faz de maneira excepcional.

 

Cada um dos 20 números musicais do repertório [RETIFICANDO: 18, se minhas anotações não deixaram nada para trás...] é acompanhado, no telão, da indicação do ano de seu lançamento. E embora haja certo equilíbrio entre as fases [com uma leve inclinação para os anos 70...], o tema predominante é [adivinhe?], claro, o amor.

 

É notável o esforço em contemplar a maior quantidade possível de hits da carreira –o que se manifesta por meio de pout-pourris, na abertura e no meio do show, com blocos de cinco canções compactadas pelos arranjos do maestro Eduardo Lages. Como se fosse realmente possível atender a todos ao mesmo tempo...

 

Roberto Carlos é e será sempre um ícone. E por mais que a sua exposição na mídia tenha tido papel determinante no fenômeno que contabiliza 100 milhões de discos vendidos, sua obra dá corpo a um conjunto de standards que amplia o sentido do que se possa entender como música brasileira –para além do samba, da bossa ou da capacidade de expansão e síntese de gente que redefiniu parâmetros, como Villa-Lobos, Radamés Gnatalli, Mutantes, Gil, Caetano, Chico Buarque, Tom Jobim, João Gilberto, Racionais, Chico Science.

 

Guardadas as proporções, ela traduz o sentimento de uma época [como o blues, o swing, o jazz ou as grandes orquestras], seus valores e sua ética. Uma época [de inocência?] que talvez tenha “saído de moda” e soe fora de lugar. Mas que renova seu sentido a cada nova geração que carrega em seu baú sentimental as músicas ouvidas pelos pais, dessas que se canta automaticamente, mesmo sem saber que se sabia.

 

Estes [mal-contados] 50 anos de carreira celebram a permanência das coisas que contam. E o tempo que se conta em dias é, nelas, apenas um ponto de vista difuso de quem olha a vida pelo retrovisor.

 

“Como 50 anos [de carreira], se eu acabei de fazer 35?!”, dizia ontem Roberto, fiel ao roteiro. “Pelo menos é assim que eu me sinto”, emendaria, matreiro.

 

Não importa se alguém escreveu isso para ele falar. Importa, sim, que é parte do que se imagina que ele diria. Porque, na sua boca, as palavras nascem trôpegas, às vezes. Mas estarão sempre encharcadas de verdade. Porque o sentido, em Roberto, só existe se estiver a serviço do sentimento.

 

 

 

israel do vale



Escrito por israel do vale às 22h20
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O MITO, NUM PIQUENIQUE DE AFETOS [MORNO, TERNO E TOCANTE] - 1

“Que falta faz um homem romântico!” O suspiro da fã no meio do show de Roberto Carlos, ontem, em Florianópolis, ajuda a entender o séquito que o Rei arrasta, onde quer que esteja.

 

Da abertura [com um medley de clássicos em versão orquestrada] ao encerramento [com “Jesus Cristo”], Roberto Carlos maneja a memória afetiva do público com aparente naturalidade, como se não exigisse grande esforço.

 

Por mais que desfie em seu show um longo rosário de “emoções baratas” [calculadas e rigorosamente roteirizadas, com temas instrumentais como moldura para frases de efeito lidas em teleprompter], Roberto Carlos preserva certa aura de mistério, indecifrável, e uma capacidade incrível de tratar a música como um sofisticado mecanismo de comunicação –de forma autônoma, simples, direta e, sobretudo, tocante.

 

Roberto está longe de ser um orador eloquente ou um grande improvisador. Exposto ao imprevisto, escuda-se em suas “emoções” para dizer que nem sabe o que dizer ou como agradecer –como se daria, neste show, no momento da entrega [por Pedro Sirotsky, da família RBS] de uma placa em sua homenagem.

 

Mas seu carismo é irrefutável. Fruto de décadas [cinco redondas nas suas contas, questionadas pelo biógrafo interditado Paulo Cesar de Araújo] de exposição das vísceras e sentimentos [tormentos?] compartilhados, sim. Mas fruto também de uma relação mediada pela televisão –é preciso acentuar.

 

Roberto Carlos é um dos primeiros mitos brasileiros potencializados [forjados?] pela TV, no meio musical. E a Jovem Guarda [que ele impulsionou e que o impulsionou] é, sem dúvida, o marco mais flagrante da invenção da cultura pop jovem [e de consumo] no Brasil.

 

[Sobre isso, basta notar como terninhos bem-cortados e figurinos reluzentes e caprichadíssimos, intimamente atrelados ao repertório, mantinham vínculos com a indústria têxtil e da moda –como aponta Zuza Homem de Mello no livro “A Era dos Festivais” e pode ser ilustrado nesta breve compilação de trechos do programa Jovem Guarda: http://www.youtube.com/watch?v=TdHSTiHjsqM]

 

Mas o que teria feito Roberto Carlos consagrar-se [e eternizar-se] como ídolo supremo, ao contrário de seus pares de programa [Vanderléa e, sobretudo, Erasmo, até hoje imbatível como seu grande parceiro e principal compositor –seguido parcialmente, em fins dos anos 60 e começo dos 70, por Getúlio Côrtes, irmão do ícone black Gerson King Combo e autor de algumas das músicas mais suingadas gravadas pelo Rei, dentre elas a gloriosa “Negro Gato”].

 

Roberto Carlos é o enigma da pirâmide. Um enigma capaz de fazer de um show morno [até quase a metade, agravado pelo áudio mal-equalizado de seu microfone] algo incrivelmente terno e aconchegante.

 

Alheio ao frio cortante das noites outonais florianopolitanas, o público que se acotovelava [fraternalmente] no gramado da Expresso Sul [a baía do Saco dos Limões ao fundo] era o próprio retrato da trajetória do Rei: famílias inteiras [avós, pais, filhos, netos] de banquinhos de plástico nas mãos [o que criaria verdadeiras “muralhas” de seres humanos em alguns pontos da platéia, pelo tanto de gente que se aboletava neles em busca de uma visão melhor], irmanados em refrões, como num grande piquenique de afetos.

(...)



Escrito por israel do vale às 14h11
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O REI, MORNO OU EXPLOSIVO, MAS SEMPRE ACONCHEGANTE

os cinco minutos de foguetório eram parte das comemorações do patrocinador, a RBS.

mas foram dignos do belíssimo [e impecável] evento, à altura do cinquentenário de carreira do REI --depois de um show [morno e tecnicamente correto, mas como sempre] memorável [como pode?!].

falo com calma disso logo mais. por ora, fiquem com o registro de CIDA EUBLE, uma moradora do morro em frente, transformado em camarote privê por ela e os vizinhos de bairro, na COSTEIRA.

http://www.youtube.com/watch?v=JgDEcLjDkMo 

israel do vale



Escrito por israel do vale às 12h09
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SUA MAJESTADE EM FLORIPA: MEIO SÉCULO DE CARREIRA [?!], A 120 [SEMPRE VINTE?] POR HORA

hoje tem ROBERTO CARLOS em FLORIANÓPOLIS. de graça, no único show ao ar livre previsto na turnê que comemora seus [falsos, segundo o biógrafo proibido PAULO CESAR DE ARAÚJO] 50 anos de carreira.

francamente, não faz a menor diferença pra mim. o que importa é que o REI está aqui e eu estarei lá --num show bancado pela RBS, a GLOBO local, em comemoração aos 30 anos de sua atuação no estado.

já redobrei o estoque de pomadas para hematomas. e tou pronto pra me acotovelar com fãs de cinco ou seis gerações.

por ora, penduro aqui um presentinho sublime, de um dos raros momentos mais politizados na sua carreira. com toda ternura, claro.

http://www.youtube.com/watch?v=UnUssvOhA7E

e hora dessas eu conto como foi.

 

aquele abraço

.i. 



Escrito por israel do vale às 12h07
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TV BRASIL, UMA TRAGICOMÉDIA DE ERROS (5) - A SAGA CONTINUA...

como era de se supor, LEOPOLDO NUNES já era cachorro morto quando procurou RENATO ROVAI e lhe ofereceu a entrevista publicada pela REVISTA FÓRUM. o percurso é [ética e responsavelmente] revelado pelo próprio entrevistador --que, mesmo próximo do entrevistado, faz o que pode para explicitar o dispositivo.

foi apenas mais um movimento no xadrez de LEOPOLDO NUNES [que se definia, orgulhosamente, como "um jogador"...] em favor de si mesmo --em busca, presumivelmente, do próximo galho em que vai se pendurar [e eu tenho cá comigo minhas apostas...] mas, como efeito colateral, pode, de fato, ser a faísca que falta para acender a discussão sobre os rumos da emissora.

nunca faltaram forças dispostas a enterrar o projeto de televisão pública. e se a sociedade [e não apenas o meio audiovisual, embora ele seja imprescindível como força política de pressão neste momento] não tomar para si esta questão, é sinal de que a TV BRASIL realmente não tem motivo para existir --e, tristemente, pode acabar com uma penada de qualquer alma penada que venha a assumir o poder.

há muita coisa em jogo aqui. mas este projeto só será respeitado se representar mais que a defesa de interesses de classe --por mais louváveis e defensáveis que eles sejam.

a segunda edição do FÓRUM NACIONAL DE TVs PÚBLICAS é o ambiente mais adequado para isso. se houver chance real de se debater este projeto [e é fato: o conselho curador, como é hoje, é absolutamente inócuo!], o FNTVP pode vir a cumprir um papel histórico neste processo.

o que só será viável se for possível assegurar a participação de todos os que podem contribuir para o assunto, no terceiro setor, no meio cultural e nas instâncias de defesa da democratização das comunicações.

* replico abaixo um post meu pendurado no blog do ROVAI em comentário ao comentário de LUIZ LOBO, ex-apresentador e ex-diretor do novo telejonal da emissora, demitido pela diretora de jornalismo HELENA CHAGAS no ano passado. [para ler o comentário de LOBO, acesse o blog do ROVAI --que merece ser difundido e prestigiado, pelo importante papel que começa a cumprir --como ilustram o comentário esclarecedor do ex-diretor-geral da TV BRASIL, ORLANDO SENNA, e a entrevista com o presidente do conselho curador, LUIZ GONZAGA BELUZZO.]

 

"LUIZ caríssimo. entendo sua solidariedade, mas a falta de transparência e abertura para a conversa na TV BRASIL também inclui LEOPOLDO NUNES.

fui seu gerente-executivo de conteúdo neste primeiro ano do projeto. a segunda pessoa a formar a sua equipe, convidado por ele. e me decepcionei enormemente com suas posturas --decorrência, em parte, do processo desgastante de pequenos e sistemáticos boicotes que sofreu, é preciso reconhecer.

deixei a TV há dois meses, demitido por recado. fui simplesmente comunicado por uma de suas assessoras que seria "substituído", sem argumento nem motivo... é uma prerrogativa de quem maneja cargos de confiança, sem dúvida. e se a confiança foi perdida [talvez porque eu insistisse na necessidade de trabalhar com foco e planejamento], nada mais natural.

está aí o "x" da questão. LEOPOLDO não é afeito ao diálogo. tem convicções demais para isso. sob pressão, tristemente, interditou o trânsito da sua área com as demais, agravando um clima tenso já na origem --e explicitado várias vezes pela presidente TEREZA CRUVINEL, que se ressentia de ter sido convidada a ocupar o cargo depois de a maior parte do comando da TV [o que inclui LEOPOLDO] já estar decidida.

a TV BRASIL é um vespeiro dos grandes. e a origem de todos os problemas está na forma como foi criada. o ímpeto de colocar na rua um projeto desta magnitude levou determinadas instâncias de governo a tomar decisões apressadas --em alguns casos, impensadas. é da natureza do jogo político, afinal: criar primeiro e resolver o que será depois. e eu posso entender isso como tática, mas não como estratégia permanente.

o próprio LEOPOLDO age assim. alertado para a necessidade de se refletir melhor sobre determinado assunto, chegou a dizer que, sim, primeiro iríamos fazer [do jeito dele, claro...] e depois pensar a respeito.

os problemas na emissora são muitos. não é simples equacionar tantas complexidades herdadas, de figuras jurídicas e culturas de trabalho diferentes entre a ex-RADIOBRAS, a ex-TVE e a ACERP, braço operacional [não raro, inadequado e/ou inoperante] da antiga TV educativa federal.

mas não é possível que uma empresa de R$ 350 milhões de orçamento anual e 2.600 funcionários vá trabalhar sempre na base do improviso, por decisões aleatórias, tomadas de rompante. era esta a minha principal pontuação internamente, e não só com LEOPOLDO.

no atacado, são dois os principais problemas que afetam o dia-a-dia da TV: as falhas crônicas de fluxo [de informação, mas não só] e gestão. fosse pouco, se a desorganização, a inadequação de determinadas pessoas aos postos que ocupam, a falta de critérios e de entendimento [sobretudo no âmbito administrativo e financeiro] do negócio desta empresa são reflexo do percurso, há também um cabo-de-guerra de cinco pontas de disputas por poder, cargos e a prevalência do "seu" ponto de vista sobre os demais.

e o mais grave, para mim, é que até hoje não se sabe qual o projeto de televisão pública que se persegue. trabalha-se a esmo, por demanda, acomodando issos e aquilos que chegam pelas vias mais disparatadas --numa espécie de "política de decisões de coquetel", adotadas pela conveniência de aproximação com pessoas, instituições ou setores --e não por ser parte de um projeto definido, concreto e claro.

não há, sequer, entendimento do que seja TV pública e do que a diferencie das demais, em instâncias decisivas.

por fim, gostaria de ressaltar que concordo substancialmente com o mérito do que defendia LEOPOLDO, mas não com o método adotado por ele. por mais louvável [essencial, premente] que seja estreitar o relacionamento com a produção independente e inundar a TV brasileira com o filme nacional, é descabido supor que todas as decisões de um diretor de programação e conteúdo devam se pautar por isso e para isso.

LEOPOLDO não se movia por um projeto, mas por uma obsessão. e um posto como este demanda mais que um líder sindical."


israel do vale



Escrito por israel do vale às 12h49
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SERIA O FIM DE UM CICLO NA TV BRASIL?

LEOPOLDO NUNES caiu. e já foi tarde. mas, isoladamente, a saída do diretor de programação [que já não mandava na área...] e de conteúdo da TV BRASIL não resolve os problemas da emissora.

LEOPOLDO é apenas o sintoma de uma conjunção de decisões tortas, apressadas, tomadas sem o cuidado e o critério necessários.

faço votos que ele volte para o que faz melhor: articular, mobilizar. e que tenha se dado conta de que, decididamente, não tem perfil nem tino para a gestão.

mas se este momento não servir a uma profunda reflexão sobre os rumos [conceitos, diretrizes] do projeto de televisão pública de que o país precisa, o sentido prático disso será nenhum.

como sempre, há coisas não-ditas, mal-explicadas e versões conflitantes, a exemplo do que já havia se dado nos episódios que levaram ao afastamento de MARIO BORGNETH e de ORLANDO SENNA.

posto abaixo o link para uma das versões correntes sobre o que teria motivado esta morte anunciada --de que sua saída seria decorrência do que teria sido dito em entrevista publicada pela revista FÓRUM.

http://www.revistaforum.com.br/sitefinal/NoticiasIntegra.asp?id_artigo=6895

israel do vale



Escrito por israel do vale às 19h11
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UM RAIO-X DO MERCADO IN[TER]DEPENDENTE DE MÚSICA

o CONEXÃO VIVO mostra amanhã a sua faceta reflexiva no SEMINÁRIO INTERNACIONAL MÚSICA & MOVIMENTO.

serão quatro dias de discussões sobre tecnologia, mobilidade, direitos autorais, movimentos e articulação internacional, sempre a partir das 14h, no MUSEU INIMÁ DE PAULA [rua da bahia, 1.201].

uma chance rara nas minas gerais de atualizar o diagnóstico do mercado in[ter]dependente de música --esse bicho de sete cabeças que ainda está por ser decifrado, não só no BRASIL.

é a segunda edição do seminário. da primeira, em 2003, fui um dos curadores. e agora dei lá os meus pitacos também.

mas a principal contribuição foi de MAKELY KA, em dobradinha com KURU LIMA --com o auxílio luxuoso de gente antenada como TALLES LOPES, produtor dos PORCAS BORBOLETAS, e de PABLO CAPILÉ, do ESPAÇO CUBO.

enfim, eu estarei por lá, e você? a inscrição é gratuita e pode ser feitas para dias específicos, via www.conexaovivo.com.br.

todo modo, acompanhe diariamente por aqui [e o site do CONEXÃO VIVO] os high-lights de cada bate-papo.

aquele abraço e, tomara, até lá

.i.



Escrito por israel do vale às 17h53
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OS NOVOS CAETANOS E OS CAMINHOS DO ESTRANHAMENTO

acabo de ouvir pela primeira vez uma música do novo disco de CAETANO, na gloriosa RÁDIO INCONFIDÊNCIA [a rádio pública das minas gerais, seguramente uma das mais consistentes do país, que você pode ouvir de onde estiver via www.inconfidencia.com.br].

é coisa que demanda uma segunda audição, mais atenta e tal. mas me chamou atenção um certo [como direi?] esforço de desconstrução --como se CAETANO reencontrasse TOM ZÉ, depois de tantos caminhos [e declarações] tortuosos que foram distanciando os ex-tropicalistas.

não posso dizer que tenha gostado exatamente do que ouvi. mas adorei a atitude de CAETANO, como artista estabelecido que é, de gerar e bancar estranhamentos.

inda volto ao tema aqui, depois que ouvir o disco todo. por ora, deixo um viva efusivo aos artistas que merecem ostentar o termo!

 

aquele

.i.



Escrito por israel do vale às 16h28
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A APOTEOSE DO CONEXÃO!

chegou a hora do "vãmuvê'!

submetidos ao teste de palco nas cinco etapas do projeto que rodaram o interior de minas e campinas, os melhores dentre os 20 pré-selecionados [escolhidos dentre 1.666 inscritos] dividem os holofotes com artistas consagrados de minas e do brasil entre esta sexta, 17, e o outro domingo, 26 --com um breve intervalo no começo da semana.

a programação do primeiro final de semana é esta que segue. tomara que a gente se veja por lá!

 

aquele abraço e boa gandaia geral

.i.

HORÁRIO17 SEXTA18 SÁBADO19 DOMINGO
18:30Rocknova (MG)Julgamento (MG)Bleffe (RJ)
19:30The Hell´s Kitchen Project (MG)Zé da Guiomar (MG)Ito Moreno (SP)
20:30Vanguart (MT)Juarez Moreira convida Wagner Tiso (MG)Lavadeiras de Almenara e Carlos Farias (MG) convidam Socorro Lira (PB)
21:30Renegado convida Marku Ribas e Cubanito (MG)Macaco Bong (MT)Sandália de Prata (SP)
22:30Gilvan de Oliveira (MG) convida Renato Borghetti (RS)Celso Moretti (MG) convida Alexandre Massau (Cidade Negra - RJ)Babilak Bah (MG) convida Chico Correa (PB)



Escrito por israel do vale às 09h12
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IMPOSTO ZERO PARA A MÚSICA BRASILEIRA!

gigantes e nanicos do mercado fonográfico estão unidos em torno da defesa da desoneração de impostos na engrenagem da música.

o projeto é de autoria de um deputado do PSDB carioca, mas foi encampado por um grupo suprapartidário.

identifique o deputado da sua região e cutuque todos os demais para se somarem à vigília [e à pressão que deve precedê-la] pela aprovação. a votação está marcada para [acredite!] 1o.  de abril...

só pra se ter idéia do inferno dos impostos em cascata, dependendo da região do país a carga tributária onera em até 45% o preço final do CD. a estimativa é de que a aprovação da medida implique numa redução de pelo menos um terço no preço ao consumidor. 

e esta é uma questão importante: fundamental que toda cadeia produtiva se comprometa com a redução do que lhe compete, pra que não se repita o golpe da indústria editorial, que embolsou integralmente a diferença de preços quando um projeto similar foi aprovado na área do livro. 

você quer pagar mais barato por CDs e DVDs e ter um acabamento [encarte, informação confiável] melhor que o dos piratas? então se sacode aí!

sou sócio de um selo em belo horizonte. mico-empresário típico, como os outros cerca de 400 que dão murro em ponta de faca país afora, para nos atermos a indies & pendentes.

sou, portanto, um dos beneficiários diretos da medida, caso ela seja aprovada --ou seja, suspeite de tudo que digo aqui, por favor. mas se posso traduzir [egoistamente, talvez] a importância disso, eu diria que é a única maneira do meu selo [e da imensa maioria dos demais] sobreviver para além deste ano.

para ilustrar, basta dizer que, no nosso caso, são nada menos que cinco anos no vermelho. e o motivo é muito fácil de entender: o que sobra para selo e artista em cada disco vendido ao lojista por algo entre R$ 16,00 e R$ 18,00 [depois de extrair impostos, comissão do vendedor, comissão da distribuidora e tal] é algo entre R$ 2,50 e R$ 3,00 por unidade.

em miúdos: os custos de [re]produção dos CDs mais básicos, com caixinha de acrílico, giram em torno de R$ 3 mil para mil cópias. ou seja: se um artista independente médio vende mil cópias em um ano [vamos lá: com sorte, em seis meses...], significa que nem selo nem artista teriam condições de bancar uma nova tiragem com o que entra de recursos, porque este dinheiro ou não volta ou leva um ano para voltar...

talvez a saída seja classificar [os nanicos, pelo menos] na legislação das igrejas ou de instituições de caridade [que aliás, não pagam imposto]. e haja fé!!! e isso porque [note!] nem considero aqui os custos de produção e gravação do disco, hein!.

enfim, se há há alguma maneira de pressupor sustentabilidade para empresas do ramo [as nanicas, pelo menos] ela passa NECESSARIAMENTE pela desoneração.

de outro modo: se as coisas não mudarem, toda a cadeia vai ser impactada pela extinção progressiva dos selos nanicos, que não terão como financiar a continuidade das suas atividades --o que impacta estúdios de gravação, fábricas de discos e todos os profissionais envolvidos [advogados especializados, inclusive].

a [muito saudável, no meu entendimento] implosão da lógica do mercado acabou com um modelo, mas ainda não viabilizou outro. e se não houver ajustes neste sentido, vamos todos morrer na praia antes do salva-vidas chegar.

bom, é claro que deve alguma bóia a caminho --até porque, por mais suicida que o dono de selo seja, ele faz isso "pela causa", mas não perde uma ponta de esperança de que se chegue logo ao novo ambiente, seja ele qual for.

o erro padrão que se comete [e aí isso vale para produtores, artistas, empreendedores, lojistas e tal] é achar que a solução virá de fora, por algum passe de mágica.

não: a solução, se houver uma, depende de cada um de nós. e começa por uma profunda mudança de mentalidade [é ridículo ouvir artista por aí insinuando que é explorado pelo selo, selo se queixando da ineficiência da distribuidora etc etc etc].

ou vamos mudar os parâmetros de relacionamento e estabelecer novos níveis de parceria entre todos os envolvidos [alô artistas: parem de delirar com o modelo falido e finado das majors, porque nem sem impostos ele vai ressuscitar!] ou vamos todos seguir a boiada em direção ao despenhadeiro. 

você não precisa concordar comigo, claro. mas se tiver uma ideia melhor pra driblar este dilema, não deixe de me contar.

quem sabe no futuro você vai merecer um busto na cidade da música [aquele elefante branco carioca, inconcluso e embargado, com orçamento de centenas de milhões --que se fizer girar na música o que vai girar no mercado de empreiteiras, talvez possa ajudar a resolver este e vários outros problemas da humanidade...].

em suma, se você quer engressar este caldo acesse, assine e repasse o link abaixo: 

http://www.abaixoassinado.org/webroot/abaixoassinados/4074

 

aquele abraço

israel do vale



Escrito por israel do vale às 19h14
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